Joana SilvaVIEW PROFILE →
O escudo espacial português: a Neuraspace usa inteligência artificial para proteger os satélites
A portuguesa Neuraspace garantiu 15,6 milhões de euros para expandir a sua plataforma de inteligência artificial que protege satélites de colisões. Conheça a empresa que já monitoriza mais de 600 satélites para clientes como a ESA e a NATO.
Muito acima das nossas cabeças, a órbita terrestre está a ficar perigosamente congestionada. Milhares de satélites e incontáveis fragmentos de lixo espacial cruzam-se a velocidades vertiginosas, criando um risco de colisão que preocupa cada vez mais governos e empresas em todo o mundo.
É precisamente neste cenário de crescente complexidade que uma empresa portuguesa se está a destacar. A Neuraspace desenvolveu uma tecnologia que recorre à inteligência artificial para vigiar o espaço e ajudar os operadores a evitar acidentes que poderiam custar milhões e comprometer serviços essenciais.
Um problema cada vez maior lá em cima
O desafio que a empresa procura resolver é tão real quanto invisível para a maioria de nós. Com um número recorde de lançamentos, a chamada consciência do domínio espacial tornou-se uma prioridade estratégica, pois cada nova colisão gera ainda mais destroços que ameaçam outras missões.
Gerir todo este tráfego orbital é uma tarefa hercúlea, praticamente impossível de realizar apenas com meios tradicionais. A quantidade de objetos a acompanhar é simplesmente demasiado elevada, o que torna a automação e os sistemas inteligentes não um luxo, mas sim uma verdadeira necessidade para o setor.
Inteligência artificial ao serviço dos satélites

É aqui que entra em cena a tecnologia desenvolvida pela Neuraspace. Segundo o que foi divulgado, os seus algoritmos de aprendizagem automática analisam as trajetórias dos objetos em órbita para gerar alertas fiáveis sobre a probabilidade de colisão entre eles.
Mas o sistema não se limita a soar o alarme perante um perigo iminente. De acordo com os dados conhecidos, a plataforma sugere também manobras de desvio otimizadas para poupar combustível, um fator absolutamente crucial para prolongar a vida útil e a rentabilidade de qualquer satélite.
As capacidades da empresa vão ainda mais longe do que a simples prevenção de choques. Segundo o que foi divulgado, a tecnologia consegue identificar ameaças de guerra eletrónica, como interferências de radiofrequência, combinando dados de telescópios óticos, radares e sistemas laser para uma vigilância verdadeiramente completa.
Uma ronda de financiamento de peso
A confiança do mercado nesta visão traduziu-se recentemente num importante reforço financeiro. Segundo o que foi divulgado, a Neuraspace garantiu, no início de agosto de 2026, um investimento de 15,6 milhões de euros para expandir a sua plataforma e as suas capacidades tecnológicas.
Este financiamento resultou de uma combinação interessante de fontes distintas. De acordo com os dados conhecidos, juntou capital privado de investidoras como a Lince Capital, a Explorer Investments e a Armilar Venture Partners a fundos públicos atribuídos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência português.
Clientes de topo, do civil ao militar
A qualidade da tecnologia da empresa reflete-se claramente na dimensão dos seus clientes. Segundo o que foi divulgado, a Neuraspace presta serviços a diversos operadores comerciais de satélites, mas também a instituições de enorme prestígio como a própria Agência Espacial Europeia.
A sua utilidade estende-se igualmente ao domínio da defesa, uma área cada vez mais sensível e estratégica. De acordo com os dados conhecidos, entre os seus clientes contam-se a NATO e a Força Aérea Portuguesa, o que confirma a natureza dupla, civil e militar, das suas soluções.
Crescimento acelerado
Os números do negócio acompanham de perto esta trajetória claramente ascendente. Segundo o que foi divulgado, a empresa registou um crescimento das receitas superior a 350 por cento ao longo do último ano, um ritmo verdadeiramente notável para qualquer setor tecnológico exigente.
A dimensão da sua operação atual dá também a exata medida da sua relevância no mercado. De acordo com os dados conhecidos, a Neuraspace monitoriza neste momento mais de 600 satélites em órbita, um número que ilustra bem a escala da responsabilidade que carrega aos seus ombros.
O que representa para Portugal
Para além do sucesso individual da empresa, esta história tem um significado bem mais amplo para todo o país. Ela demonstra que Portugal é capaz de competir na fronteira mais avançada da tecnologia espacial, um domínio outrora reservado apenas às grandes potências mundiais, e de o fazer com engenho próprio.






