Joana SilvaVIEW PROFILE →
Fisioterapia com inteligência artificial para todo um país: a aposta da portuguesa Sword Health
A Sword Health, unicórnio de saúde digital com raízes no Porto, usa inteligência artificial para levar a fisioterapia a casa dos pacientes. Em 2026, um acordo com o Serviço Nacional de Saúde prometeu estender esse modelo a toda a população portuguesa.
Enquanto grande parte do debate sobre inteligência artificial gira em torno de chatbots e centros de dados, uma empresa de raízes portuguesas está a aplicar a tecnologia a algo muito concreto: a dor nas costas, nos joelhos e nos ombros. A Sword Health tornou-se, em poucos anos, um dos casos mais notáveis da saúde digital a nível mundial.
Um fisioterapeuta digital em casa
O modelo da Sword Health é simples de explicar. Em vez de se deslocar repetidamente a uma clínica, o paciente faz os exercícios em casa, guiado por sensores de movimento e por um 'terapeuta digital' assente em inteligência artificial, que corrige a postura em tempo real. Por trás do ecrã, uma equipa de fisioterapeutas acompanha a evolução de cada caso.
Um unicórnio com raízes no Porto
Fundada em 2015, com forte ligação ao Porto, a empresa cresceu até se tornar um dos unicórnios tecnológicos portugueses mais valiosos. Em meados de 2025, uma nova ronda de financiamento colocou a sua avaliação em torno dos quatro mil milhões de dólares, um patamar raro para um projeto nascido em Portugal.
Um acordo à escala de um país

O marco mais recente chegou em 2026. O Serviço Nacional de Saúde português assinou um acordo para disponibilizar a fisioterapia digital da Sword a toda a população, cerca de dez milhões de pessoas. É uma das primeiras vezes que uma tecnologia deste tipo é adotada à escala de um país inteiro.
As promessas do acordo são ambiciosas. Segundo os dados avançados, a solução poderá reduzir os tempos de espera dos pacientes em cerca de 97 por cento e cortar os custos para o Estado em torno de 45 por cento. Números que, a confirmarem-se na prática, mudariam a forma como se pensa o acesso a este tipo de cuidados.
Da dor física à saúde mental
A empresa não pretende ficar-se pela fisioterapia. Já anunciou a entrada na área da saúde mental, com uma nova oferta que alarga o mesmo princípio, o acompanhamento contínuo assistido por inteligência artificial, a um domínio ainda mais sensível. A eventual entrada em bolsa foi, entretanto, adiada para depois de 2028.
O percurso da Sword Health mostra um lado menos ruidoso da revolução da inteligência artificial: não o de substituir profissionais, mas o de estender o seu alcance. Para Portugal, é também a prova de que uma empresa nascida no país pode desenhar soluções que acabam por regressar, agora à escala de todo um sistema de saúde.






